Sempre fomos tão diferentes. Enquanto eu me fechava numa concha, quando criava barreiras, tu quebravas, derrubavas obstáculos, sacudias-me até abrir por completo o meu coração. Quando eu me calava, tu explodias, eu perdoava e tu não esquecias. Quando falava, não ouvias. Éramos como duas metades que teimosamente de mantinham de costas viradas. Eu esperava que te voltasses e me abraçasses, esperava que dissesses que estava tudo bem.
Eu nunca fui muito de abrir o coração, nem de o deixar aberto mais do que breves instantes. Nunca fui boa a manter-me numa relação mas, desta vez não fugi com medo que me pudesses magoar. Desta vez não fingi não gostar. Desta vez manti-me firme e fiel aos meus sentimentos.
Desta vez pus o meu coração nas tuas mãos, expus-te os meus sentimentos e os meus medos, medi os teus prós e contras. Calei-me porque era a única maneira de me fazer ouvir em ti. Deixei de esquecer, porque também não perdoava.
Agora que saíste da minha vida, senti-me como se fosse uma vítima nesta história. Eu calei-me e, tu não me ouvis-te mesmo assim. Eu gritei e, tu limitaste-te a concordar com todo o mal que tinhas feito. Eu perdoei, apesar de tudo perdoei, jurei esquecer tudo mas, mesmo assim nunca voltás-te.
Eu ainda vejo o teu sorriso quando penso em ti, ainda sinto a tua voz à minha volta, ainda oiço todas as promessas que me fizes-te. Eu fecho os olhos e és tu quem eu vejo. És tu que me embalas todas as noites antes do adormecer, para instantes depois te encontrar em sonhos. Acordo sobressaltada, como se me tivessem tirado a vida das mãos. E eu choro, ainda choro tanto. Como se a chorar a minha dor pudesse desaparecer, ou pelo menos desanuviar. É absurdo eu sei mas, não importa porque tu nunca me verás chorar.
A parte fraca que conheces-te em mim, desaparecerá. A parte forte, também já não a verás, serei apenas eu. Já não te vou atingir mais, prometo não te atingir mais.
O que mais me dói, foi o facto de te ter amado de verdade e pensar que também me amavas com a mesma força. Eu acreditava em tudo, tinha toda a fé nas tuas palavras e, agora só me restam recordações falsas e, esperanças sem sentido. Agora vejo o quão ingénua fui em toda esta história. Fui inocente ao ponto de acreditar num para sempre, que nunca existiu.
Hoje sei que os meus sentimentos me traíram, o meu coração depois de ter caído das tuas mãos fechou e, os meus medos ficaram mais aguçados.
Tal como um naufrago numa ilha perdida, um prisioneiro no meio do oceano, era assim que identificava o meu coração. Fizes-te-o teu refém. Deste-lhe liberdade de um momento para o outro.
Era livre, podia dizer que essa luz me cegava, era como se sempre tivesse vivido na tua sombra e, agora poderia respirar com toda a força o ar que me davas. Não o fiz. A tua sombra era a minha segurança, o meu ponto de abrigo, sem ele era um vácuo, não tinha forças para respirar.
Graças a ti, fiz da noite minha companheira. De dia era a autoritária e alegre de sempre, à noite, encharcava a almofada de água salgada. Não importa, tu nunca irás sentir o sabor das minhas lágrimas, nem ouvirás os meus soluços. Nunca mereces-te nenhuma das noites que dediquei a ti, nunca mereces-te que te confiasse o meu coração. É devido aos nossos erros, que aprendemos a viver e, tu sem dúvida alguma foste o maior de todos eles.


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