Afinal o amor é uma doença, um defeito,uma qualidade, talvez uma virtude?
E cada vez mais digo que nós devíamos ser um computadores e na pasta chamada 'coração' deviam estar ficheiros, a esses ficheiros chamam-se sentimentos e aí era magnífico chegar lá e eliminar os que não interessam mais. Não hoje, nem amanhã, mas um dia vou eliminar tudo. Tudo o que a ti diz respeito, e todas as ligações que possam envolver o teu nome.
Gostava de um dia ser sincera comigo mesma. Dizer que te esqueci, mas dizê-lo de coração aberto, e sem aperto no peito. Dizê-lo sem ressentimentos. Dizê-lo sem que a minha voz falha-se. Não o consigo fazer. Ponho um sorriso na cara que não me chega aos olhos. Carrego um peso sobre mim que deveria ser tanto teu como meu. Sou infantil por te atingir, com a mesma força com que me atinges a mim. Gostava apenas de conseguir ignorar. Mas as tuas ligações são mais persistentes. És como um vírus, que teima em atacar-me.
O amor é tão inseparável da morte, como da dependência. Sabes que amas porque te esqueceste de que existes; porque morreste para ti mesma, para viveres naqueles que amas. Se eles estiverem bem, então tu estás bem, ainda que estejas mal. Amar é dares-te. É não pensares em ti. É não quereres saber dos teus gostos, do teu bem-estar, do teu descanso, dos teus projectos, do teu futuro, por andares muito ocupada em construir aqueles que te rodeiam. É vermos a nossa vida parada para suportar-mos a dor dos outros, sofrer por eles, dar a vida por eles, esqueceres-te de ti, para só pensares no outro. É veres nessa morte para ti mesma o sentido e a plenitude da tua existência. Quanto mais deres de ti, quanto mais te doer o teu amor, mais alegria terás. E mais paz. Porque amas mais. O amor não é, nem nunca poderá ser um mar de dependências. Mas no fundo, não seriamos nós dependentes um do outro? Não precisávamos de ter a confirmação do outro, para saber fazer o certo ou o errado. Éramos dependentes de tal forma, que a minha morte para comigo mesma, foi como sendo a minha morte para contigo.
Pensei em dar tudo de mim, deixei de pensar no amanhã com medo que ele não viesse, agarrando-me à esperança de viver um momento chamado para sempre.
O 'para sempre' também tem um fim, a entrega que com tão afinco te proporcionei, não foi uma perda de tempo, como tanto digo. Ensinou-me a crescer como pessoa, ajudou-me a delimitar os meus próprios limites.
Aprendi que se vencem grandes batalhas através da paciência, da tolerância, da calma, na verdade a desistência acaba por ser uma grande virtude. Apenas os resultados são vagarosos a chegar. A vitória é lenta e dolorosa.
Dói tanto pensar que ainda procuro a protecção dos teus braços, sabendo que estão nos de outrém. Pensar que as palavras que me sussuravas, serão as mesma, que a outra irá ouvir. Como dizem: são apenas frases feitas.

(Obrigada: Patrícia Silva, Cátia Ferreira, Renato Oliveira, João Neto, João Manuel, Rita Ferreira e Rita Abreu, por nunca me terem deixado morrer para comigo mesma.)

2 comentários:

  1. meu amor, minha pequenina, do que depender de mim, farei de tudo para que te sintas bem, para que estejas bem, e para que o sorriso te chegue aos olhos, te faça deitar no chão e doer a barriga de tanto rir. Do que depender de mim, não largo a tua mão e não te deixo cair no buraco da morte. Do que depender de mim, estarei aqui, mesmo que longe, para te proteger de tudo.
    E agora, recebe este abraço que te acalmará a alma e te fará sorrir.
    gosto muito de ti minha metro e sessenta (a) <3

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  2. Bem posso agradecer (principalmente) a ti, por tudo. Por nunca me ter ido realmente a baixo. Tens me proporcionado muito, tens me feito realmente feliz a uma grande distância.
    E sim, tu tens o dom de me fazer rir até me doer a barriga, de me fazer sorrir de verdade.
    Tens me dado a conhecer muito, acredita.
    És mesmo das melhores pessoas que alguma vez conheci <3

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