Sabes, já chega. Já chega disto, deste estado de espírito, destas lágrimas, desta dor, deste peso. Chega, chega de tudo isto.
Eu caí. Caí no erro de te amar sem pedir nada em troca.
Vou pegar novamente num lápis e num papel, vou escrever outra carta. A última e definitiva carta destinada a ti. Mais uma que não te irei mostrar. Mais uma que fecharei numa gaveta, sem que tu a vejas.
Eu preferi remexer no passado, revivendo-o todos os dias, deixando o sentimento de culpa me invadir. Deixando de avançar. Quis parar. Mas agora não, agora vou seguir em frente, vou avançar. Vou progredir.
Vou ser forte, preciso de ser forte o suficiente para esta noite não voltar a cair por ti, vou respirar fundo, as minhas pernas vão parar de tremer e eu vou manter-me firme. Não vou mudar. Não me vou mudar mais, não para te agradar.
Eu não perdi, nunca perdi e nunca chorei uma derrota. E não fui derrotada, fui excluída e, agora sei que não há razões para acreditar em nós.
Eu aprendi. Aprendi da da pior maneira, mas aprendi a ficar quieta quando aquilo que mais quero, aquilo que mais desejo não depende só de mim. Eu aprendi.
Aprendi também que não houve um nós, que nada de passou de ilusões, simples e meras ilusões.
Agora está a doer, por mais que diga que chega disto, só o tempo me curará, mas haverá de chegar o dia que vou sorrir, vou rir, vou pular. Vou voltar a ser eu. Não hoje, não amanhã, não sei quando, mas um dia. Nesse dia eu voltarei a ser a míuda alegre que fui, hei-de ser a rapariga com o brilho nos olhos, a míuda do sorriso fácil. Mas até lá, vou ser a míuda que luta consigo mesma.


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