Sabes pequenino, esse aperto no peito e esse nó na garganta, com o tempo passam. Essas lágrimas que tendem em verter-te dos olhos e os suspiros de frustração ao longo do dia, acabam por cessar ao longo do tempo. Essa saudade que quase que dói acaba por ser silenciada com o vento, também ao longo do tempo.
Foi por essa rapariga, por quem choras hoje, que me deixas-te. Foi por ela que me deixas-te desfeita. E eu disse-te tudo. Disse-te exactamente o que ias fazer. Ias olhar por ela e para ela. Ias dizer-lhe todos os dias o quanto era ela linda e o quanto a amavas. Ias passar noites em branco, a sonhar com o vosso futuro juntos. Sonhavas com ela. E finalmente, acreditavas que era para sempre.
E ela deixou-te. Deixou-te por um partido melhor, por um mais rentável ou mais atractivo, não sei. Mas deixou-te. Tal como fizes-te comigo. Deixou-te para trás. Sem dó, sem piedade e sem remorsos. Não te deu a mão, nem te ergueu o queixo. Virou costas, e simplesmente foi.
Agora choras. À noite choras, e à luz do dia ris, só para manteres as lágrimas afastadas e os soluços silenciados. Então pequenino, continua a rir. Ri alto e ri muito, para que ela saiba que não mereceu nem um bocadinho de ti.
Mas apesar de tudo isto, tu não sabes o que é ter na verdade um coração partido. És um caçador. Choras mais pela flecha perdida do que propriamente pela perda de uma presa já caçada.

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