Gosto de pensar em ti como um herói. Um homem de coração bravo e destemido. Alguém que age por instinto e que protege quem ama. Mesmo assim, gostar de pensar em ti dói. Não me protegeste.
Não pensar em ti, não resulta. Pôr o teu lugar à disposição tornou-se numa ideia impensável. Mesmo passando todo este tempo. Todos estes meses. Mas não posso. Simplesmente não posso, não consigo e acho que nem quero. Não me perguntes porquê. Suspeito que seja medo, talvez seja ele que me impeça, mas medo não é tudo. É já, uma precaução.
Deixei que o meu coração fosse na corrente surda e cega do amor. E quando voltou, não era o mesmo. Não era o meu coração.
Deixou de ser arejado e leve. Deixou de ser espaçoso e sereno. Já não alberga ingenuidade e já não se alimenta de sonhos e ilusões.
Agora tenho um coração a motor, que só vive para o trabalho, sem arritmias, onde tudo cai e nada faz mossa.
Já não o deixo por aí. Já não o deixo na mais leve corrente, tenho medo que ela o leve. Tenho medo que desta vez ele não volte. Que ele fique do outro lado da margem.
E é disso que tenho mais medo. De tudo o que está para lá da margem. Medo do que não vejo, que pertence ao outro lado. De tudo o que está por trás. Por trás de uma roupa bonita, de um coração de ferro. Por trás de planos feitos, e de correntes surdas. Por trás de um sorriso, de um abraço ou de um beijo. Tenho medo do que está dentro. Dentro de uma casa, de uma alma ou de uma lágrima.
E tenho medo daquilo que não me mostras. Daquilo que não dizes em voz alta. Tenho medo dos segredos, das mentiras e de todas as coisas que estão escondidas.
E hoje tenho medo disto tudo. Disto tudo, e de quando a palavra amor se associa à pessoa errada.


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