Ela tornou-se forte. Tornou-se noutra pessoa. Agarrada ao passado, mas outra pessoa. Não chora nem demonstra sentimentos. Já não se apega ás pessoas, e nem se deixa enganar com a mesma facilidade. Mas ainda é frágil. Lá por transparecer um coração de pedra tem um de vidro, à espera de ser forrado a papel de seda. Ela afasta tudo e todos de si. Tem medo das más intenções e dos sorrisos falsos. Tornou-se desconfiada e em certa parte construiu a sua própria masmorra. Ela só tinha um sonho: ter alguém para si. Construir uma casa, e dar-lhe o nome de castelo. Um homem com quem partilhar a vida. E em certa parte conseguiu. Só que a sorte nunca fez parte de si. Ou até faça, mas não com aquele que ela pensou ser o seu príncipe. Aliás, ela construiu totalmente a masmorra em que está inserida. Ela não se sente presa, nem sufocada pelo escudo que conferiu a si própria, ela acha-se segura. Salva de mãos enganosas e de pessoas traiçoeiras. Esquece-se que até a sua própria sombra goza dela. Ela só tem medo de se apaixonar. Medo que a enganem. Medo que a deixem. Medo que o seu coração se parta. Medo que a façam chorar. Medo que lhe enegreçam a alma ou que a deitem a baixo.



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