Quem és tu?
Quem és tu que não és alto nem baixo? Gordo nem magro? Quem és tu que não tens preferência por loiras ou por morenas, com olhos azuis ou negros? Quem és tu que não tem medo da morte nem da velocidade? Quem és tu que não se acanha com o escuro nem com o frio? Quem és tu que não teme a solidão nem mesmo a infelicidade? Na verdade quem és tu?
Quem és tu para viveres dentro de mim? Quem és tu para fazeres de mim narradora de uma história? Que direito tens tu de me aprisionar a ti? Tu que não sabes do que gostas, nem o que queres. Não és ninguém, não tens direitos nem privilégios sobre mim.
Se ainda vives em mim? Sim, vives como nunca ninguém viveu. Se te amei? Não te restam dúvidas enquanto a isso.
A vida apenas não permitiu este grande amor crescer. Porque assim o foi, eu não sei. É injusto, e por vezes considerei-a (não só a ela como também ás tuas decisões) cruel. Cruel para mim e para ti. E como todas as coisas impossíveis e injustas, uma dor, é tudo o que resta.
Certamente na tua busca, encontrarás outras parecidas comigo, mas mais próximas. O suficiente para te dizerem segredos ao ouvido, o suficiente para te abraçarem e para te fazerem sentir o quando vales. Mas sabes, elas serão apenas próximas. Por muito que te dêem a mão, por muitos abraços que te possam proporcionar, nenhuma alguma vez irá voar no teu íntimo, como eu voei, nem te conhecerão tão bem quanto eu te conheci.
É disso que o amor difere da paixão. Permito-nos espreitar a alma da pessoa amada. Enquanto que a paixão é algo fugaz momentânea. A paixão é apenas algo que nos cega num dado momento. Desaparece tão rapidamente como no momento em que a sentimos.
Sabes eu ainda espreito a tua alma. Tal como tu ocupas o meu coração. Talvez seja apenas doida e essa seja só por si razão suficiente para a nossa relação terminar.
A bem ou a mal, tive de interiorizar (a mal) que tudo o que começa acaba. Acaba porque apesar de começar não nos leva a lado nenhum! Sim, pode levar a um amargo na boca, a sensação de frio e de vazio, a uma angústia no peito. Ela dói e mói, fazendo-nos pensar se a vida tem mesmo algum sentido, ou se é apenas isto, este andar á toa e sem rumo.
Interiorizei também (a mal), a não perder tempo com causas perdidas. Gostava de pedir que voltasses, jurando-te que te faria feliz, mais do que alguma vez foste. Mas não posso, não enquanto nem a mim própria me consigo fazer feliz.
E hoje tenho um peso enorme na consciência, e um buraco sem fundo no coração por teres estado tão perto, para acabares agora tão distante.
Proximidade? Foi também uma ilusão e nós, ingénuos que fomos, deixámos-nos ir na doçura dela. Deixa então, que fique eu agora com os amargos na boca e te liberte.




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