Sinto um aperto no peito


Sabes o que é sentir os pulmões sem ar? As artérias sem sangue? O coração sem bater? Sentir a tua ausência?
É como uma praia sem mar. Não existe, nao faz sentido, um oxímoro sem sem pés nem cabeça.
No meu âmago nao existe harmonia e, não sei se um dia voltarei a esse estado de completo entendimento comigo mesma.
O sorriso que prometes-te que levarias desvaneceu-se, o brilho extinguiu-se, e os meus olhos não podem ver na escuridão.
Lembras-te do primeiro contacto? Da primeira palavra? Da primeira gargalhada? Pois eu lembro-me. Lembro-me como me sentia protegida, como me sentia feliz, como me sentia viva.
Agora volta a sentir: uns lábios sem um sorriso? Um olhar com uma lágrima? Um rádio sem som? Um coração despedaçado?
Neste momento encontro-me toltamente sozinha, num quarto escuro onde o verbo 'cansaço' corrobora com os soluços do meu choro.
Tavez neste momento, o meu único desejo fosse pedir-te um carinho, passear abraçada a ti, ver o pôr-do-sol, esperar pelo luar, contemplar as estrelas junto a ti, poder abraçar-te, tocar e sentir a tua pele, o teu sorriso. Talvez...
Agora sinto que toda esta luta foi em vão, e no entanto sozinha, continuo a esperar o toque da tua mão.
Talvez neste mesmo momento esteja a contemplar o pôr-do-sol e esperar pelo luar, junto à tua ausência. Chove. Está a chover torrencialmente, até parece que o céu me está a dar forças para lamentar a tua partida. O céu uniu-se a mim, não há diferença entre lágrimas e chuva.
Lembras-te da primeira discussão? Da primeira lágrima? De como acabou? Eu volto a relembrar. Lembro-me como sentia sozinha, como sentia frio, como sentia medo.
Queria ter feito mil e uma coisas contigo: queria ler-te poemas de amor, queria fazer-te festas no cabelo, queria ter-te dado um beijo de boa noite, ver o teu sorriso pela manhã, ter passeado contigo junto ao mar, perder-me ser feliz, ter saído daqui, saído contigo, sermos um, os dois, eu contigo e tu comigo. Queria...e não consegui.
Não consegui manter a história que nos caracterizou, não consegui concretizar metade dos planos que realizámos, mas conseguir trespassar a lívida imagem que te amei!
Que te amei de corpo e alma, que te amei por tudo o que eras, e por tudo o que não eras. Que te amei com todos os defeitos, com todas as qualidades. Amei-te por seres tu!
Era um amor à distância e depois? Há quem tenha o dom de amar de perto e, nós tínhamos o dom de amar ao longe.
No entanto, agora só resta um vazio, um vazio que ocupa demasiado espaço.

1 comentário:

  1. Olá Marisa...

    Sabes, fiquei comovida com o que acabei de ler, esses trés textos que escreveste, mostram que algum não está bem contigo. Não sei bem o que é mas sei que não está tudo bem!
    Fiquei comovida não por estar a passar por algum igual ou parecido, mas sim porque a tua forma de escrever é comovente porque ve-se que vem mesmo do coração.
    Tens uma forma de te expressares na escrita maravilhosa. Continua assim, não só para descobrires um talento, quem sabe, mas também porque é uma forma de desabafares sem ser com amigos. Podemos ter assim uma amizade enorme, mas quero que saibas que se precisares eu estarei aqui para sempre, sempre, sempre...

    Beijinhos grandes,
    Salomé Silva

    P. S. Tens um blog fantástico!!! Parabéns!!!

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